Anatomia de um Projeto: Shouk (3)
Desafio iniciado, partiu-se para a correria: o espaço já estava em construção, correríamos contra o tempo (alguma semelhança com a realidade NÃO é mera coincidência).
E, é claro, toda a negociação pertinente: orçamento, prazos e abrangência do projeto. Pelo fato de termos trabalhado anteriormente, foi uma negociação tranquila. Mas faço uma observação: quando se inicia uma nova relação agência-cliente, é sempre bom tentar compreender como é a política de aprovação de custos da empresa, como ela negocia, ou seja, seu histórico com prestadores de serviços. E isso não precisa ser feito à revelia do cliente: pode haver uma conversa nesse sentido diretamente com ele, para evitar conflitos e atrasos no projeto, e consequente desgaste numa relação que mal se iniciou.
Compramos e emprestamos livros, revistas, mais conversas e reuniões, degustações do cardápio — há que se aproveitar as coisas boas, não?
Tudo girou em torno de procurar um elemento gráfico da cultura oriental que fosse facilmente identificável por “meros ocidentais”, mas não perdesse suas raízes, afinal de contas São Paulo é uma cidade onde convivem as mais diversas culturas e seria muito interessante se a identidade mostrasse essa mistura.
Alguns livros utilizados:

Living in Morocco
Coleção: Icons
Autor: Barbara Stoeltierne
Editora: Taschen

Morocco Style
Coleção: Icons
Autor: Christiane Reiter
Editora: Taschen

Mehndi: Pintura de Hena para o Corpo
Autor: Petra Rascher
Editora: Manole
Acabamos chegando no mehndi, que nada mais é do que a técnica de desenhar o corpo com henna, uma prática que se tornou bastante comum no Ocidente de uns 20 anos para cá.

A hena é utilizada há milênios no Oriente Próximo, no Norte da África e no Sudeste Asiático para enfeitar o corpo. Ela é usada principalmente em rituais religiosos e cerimônias, mas também em datas comemorativas e casamentos.Vindo sobretudo e originalmente da Índia, o Mehndi tornou-se há alguns anos uma grande tendência no Ocidente. Dessa forma, o Mehndi tornou-se o ponto de intersecção entre o conceito do local e o repertório do público a ser alcançado.
Estudamos essa forma de expressão e criamos uma série de desenhos para o cliente e descobrimos outros símbolos consagrados: amor, saúde, prosperidade etc. Consultando nossa biblioteca tipográfica, chegamos na família Sho tm Roman, da Linotype (desenhada por Kargeorg Hoefer em 1992), onde imprimimos, rabiscamos e voltamos para o Illustrator para se chegar a um desenho único.

No prazo estipulado, a apresentação do conceito gráfico e da marca, imediatamente aprovados. O trabalho estave sendo bem executado até então, mas era apenas o começo…

Continua…
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